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Design, IA Generativa e o dilema da imersão

Design, IA Generativa e o dilema da imersão

Design, IA Generativa e o dilema da imersão

Arthur Mello

25 de jun. de 2024

25 de jun. de 2024

8 min

8 min

Fiquei pensando muito em qual seria um bom desafio enfrentado durante minha jornada na criação da Luria (plataforma de IA Generativa para imersão em dados da PX Data.Ai) e como esse desafio tinha um alcance mais amplo de discussão que apenas uma escolha de design ou algo do tipo.

Papo vai, papo vem… apareceu uma ideia brilhante! Do GPT, Gemini, WhatsApp, ou qualquer chatbot mais antigo e padrão presente no nosso dia a dia até o encantamento de interface interativa da Samantha no filme Her (Deixo como uma ótima indicação de filme, ainda mais que inteligência artificial virou a trend do momento), tudo fez sentido para me levantar a questão: onde podemos ir no design para evoluir a experiência do usuário com uma inteligência artificial?


As primeiras mensagens

Primeiro, como tudo começou? Os primeiros chatbots eram programas rudimentares que simulavam uma conversa com humanos por meio de padrões de reconhecimento de palavras-chave. Apesar de limitado, ELIZA, a mais famosa da sua época, apenas simulava uma psicoterapeuta refletindo as perguntas do usuário. Um início promissor do potencial das interações máquina-humano. E quem imaginaria, na década de 60, onde poderíamos chegar 60 anos depois.

Respostas padronizadas já não eram suficientes. Evoluímos, melhoramos e chegamos no que achávamos simplesmente incrível! Principalmente quando começamos a utilizar técnicas mais avançadas de processamento de linguagem natural (PLN). No entanto, ainda eram limitadas as respostas baseadas em regras e bancos de dados pré-programados. O sonho era ir muito além.

Mais um marco importante: Alice (Artificial Linguistic Computer Entity), em meados da década de 90, começou a trazer uma nova expectativa. Começamos a evoluir não só a linguagem, mas a interface. Reforçamos a expectativa em criar laços e conexão o mais próximo do que é o humano. Criamos avatares para caracterizar personas digitais e fazendo o diálogo acompanhar aquilo que se desenvolvia num chat conversacional entre duas pessoas. Um padrão visual e uma expectativa foram criados (e mantidos) desde então.


O presente é parecido demais com o passado?

Embora a capacidade das IAs Generativas tenha avançado significativamente, a maioria das interfaces ainda opera dentro do paradigma tradicional de texto e mensagens. Plataformas usuais do nosso dia a dia como WhatsApp, Messenger e Slack utilizam bots e assistentes virtuais que, apesar de mais inteligentes, ainda interagem em um formato linear e textual.


Esse modelo de interação, embora eficaz, limita o potencial das IAs Generativas. A comunicação permanece em um formato unidimensional, onde a verdadeira profundidade da compreensão e geração de contexto da IA não é plenamente explorada.

Começamos a evoluir não só a linguagem, mas a interface. Reforçamos a expectativa em criar laços e conexão o mais próximo do que é o humano.

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Uma Visão Futurista (de 2013…)

No filme Her, de 2013, vemos um futuro onde a interação com a IA transcende o formato de chat padrão. O protagonista, Theodore, se comunica com uma IA chamada Samantha. Aqui vemos uma proposta imersiva de design no futuro conversacional entre a IA Samantha e seus usuários. Ela não se limita só a textos, ela interage por voz, interpreta emoções e desenvolve uma relação profunda e complexa com Theodore.


Essa visão propõe um salto na maneira como interagimos com as máquinas. As interfaces não precisam ser só simples canais de troca de mensagens, mas ambientes imersivos e interativos que compreendem e respondem às nuances emocionais e contextuais dos usuários. Entretanto, o ponto chave do filme está na questão dos limites de conexão e o quão longe podemos ir numa dinâmica de interface e experiência entre humano e uma IA. Devemos evoluir e trazer os traços de interação por voz, por vídeo e fotografias. Já estamos usando imagens e prompts para gerar ilustrações e vídeos mais completos através da Inteligência Generativa presente no Midjourney, por exemplo. Em contrapartida, Alexa e Siri, assistentes virtuais, devem trazer cada vez mais a tona essa discussão de limites.

Se a interação por voz já é praxe, as respostas visuais e o contato emocional começa a evoluir e esquentar essa dinâmica de interação. O AI pin, lançado em 2023 pela Humane já conecta uma assistente virtual que pode ver tudo aquilo que você está vendo, mas carrega o propósito de eliminar telas, ao menos em excesso do nosso dia a dia. A experiência de interação fora de uma tela.


O design, dilemas do futuro e algumas não-conclusões

Penso que, na prática, temos um campo gigantesco para alcançar a complexidade e naturalidade que Her nos faz imaginar e sonhar. Respondendo nosso questionamento inicial, imagino que o design de produtos focado na experiências de IAs Generativas deve olhar com carinho para integrações de voz, textos, gestos e até expressões faciais, para criar uma experiência de comunicação mais rica e humana. Além de evoluir o nível de percepção da IA em contextos específicos e tornar a experiência sempre mais empática e emotiva.

Acredito que os debates éticos serão cada vez maiores e o direito digital também precisará se atentar a essa demanda evolutiva. Personificar uma IA e dar todo o controle de personalização para um usuário possui seus riscos de imersão em uma realidade utópica e muito perigosa. Ao mesmo tempo, o design sempre busca imergir cada vez mais o usuário em sua experiência proposta.

O “dilema da imersão”, que assim podemos chamar, vai ser o grande debate ético da próxima geração de designers. A responsabilidade em criar o melhor vs o perigo de excessos cometidos pelos usuários, traz o risco de gerar uma paixão platônica - como em Her.

Somos responsáveis pelos excessos? Com certeza seremos cobrados por gerar uma interface e uma experiência de imersão no mais alto nível de qualidade. A termos práticos, o que eu espero são espaços mais livres de interação entre IA’s e humanos. Mais vozes, mais gestos, mais imagens. E quando existirem textos, que façam parte de uma experiência maior e completa. E principalmente que esses espaços sejam sempre mais colaborativos e conectivos entre humanos.

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